Em 1º de agosto de 1966, um homem subiu ao mirante da torre da Universidade do Texas e atirou em quem estivesse embaixo por noventa e seis minutos. Esta não é uma história sobre ele.
É sobre o que aconteceu depois — e sobre quem foi apagado.
Naquele dia, a polícia de Austin ficou paralisada: revólveres e espingardas não alcançavam alguém protegido por uma mureta a mais de setenta metros do chão. Foi então que dezenas de estudantes e moradores correram para casa, pegaram seus rifles de caça e começaram a atirar contra a torre. É o único caso documentado na história moderna dos Estados Unidos de civis armados intervindo assim num ataque em andamento. O efeito foi concreto: o atirador teve que se deitar no chão, perdeu o campo de visão e a pontaria despencou.
Allen Crum, gerente de quarenta anos da livraria da universidade, subiu a torre com os policiais. Nos últimos degraus perguntou se estavam "jogando para valer" e pediu para ser nomeado deputado ali mesmo, na escada. Foi um tiro dele contra a parede que distraiu o atirador e permitiu que os oficiais dobrassem a quina oposta.
Nove anos depois, Hollywood contou essa história — e mudou tudo. Claire Wilson, a estudante de dezoito anos e grávida de oito meses que foi a primeira pessoa atingida, desapareceu do roteiro. E Houston McCoy, o policial que de fato encerrou o cerco, foi substituído por um personagem fictício que se paralisa de medo. McCoy processou em 1990 e perdeu. Morreu em 2012 dizendo que aquilo tinha sido trabalho de equipe.
Em 2016, o documentário Tower finalmente devolveu o dia às pessoas que estavam lá.
[SIMPSONS — frase sobre a referência, entra depois de confirmar o episódio]
CAPÍTULOS
0:00 A cena que ninguém explica
0:25 1º de agosto de 1966
0:59 Os civis com rifles de caça
1:58 Allen Crum sobe a torre
2:59 Claire Wilson e uma desconhecida
3:22 O filme de 1975
4:03 O herói que virou covarde
4:41 O mito do tumor
5:03 Tower (2016)
FONTES: livro de Gary Lavergne sobre o caso; documentário Tower