Vou Namorar Sim de Novo é uma sátira musical com humor, semba, kizomba-pop e muita energia dançável. A música brinca com a ideia de um coração partido que, mesmo depois da dor, decide continuar a acreditar no amor.
Entre oração, Nzambi, autoironia e amor verdadeiro, a sátira transforma a desilusão numa celebração leve e divertida. É uma música para rir, dançar e lembrar que voltar a amar pode ser bonito, desde que não seja com falso amor.
PROCESSO CRIATIVO
Tudo começou com uma transcrição crua, cheia de tempos, números e marcações técnicas. A primeira tarefa foi limpar esse ruído e deixar apenas aquilo que realmente interessava: a intenção divertida de alguém que sofre, mas continua a dançar e a dizer que vai namorar de novo.
A ideia inicial era brincar com o exagero do coração partido. Mas a música encontrou a sua verdadeira identidade quando apareceu a frase:
“a psicóloga sou eu”.
Nesse momento, a sátira passou a ter a minha assinatura. Já não era apenas uma brincadeira sobre desilusão amorosa. Era também uma forma de rir de mim própria, da minha profissão, da minha lucidez, da minha fé e da contradição de saber analisar tanta coisa e, mesmo assim, continuar a querer amar.
Depois chegou uma das frases que mudou definitivamente a música:
“Vão colocar Nzambi no meu coração,
Vão-me dar oração para o meu coração.”
Foi aí que entrou uma raiz espiritual própria. A solução deixou de estar apenas na piada sobre tratar um coração partido e passou também por Nzambi, pela oração e por uma forma mais consciente de voltar a amar.
Outra frase deu coluna vertebral à sátira:
“Viver sem amor verdadeiro eu não vivo, não.
Viver com falso amor eu não vivo, não.”
A música deixou então de dizer apenas “vou amar outra vez”. Passou a dizer: vou amar, mas não de qualquer maneira.
Na produção, o objetivo foi manter festa, balanço, humor, semba e kizomba-pop, com um refrão fácil de apanhar e energia imediata.
No fim, percebi que esta música não precisava de parecer perfeita.