Os Segredos da Rua (Conversas de Jardim).
No jardim das palavras mal ditas,
Onde as pétalas são palavras aflitas,
Converso com o vento que corta a tarde,
Promessas no ar, mas nunca tão tarde.
Dizei-me, vento, que segredos carrega,
Na curva da brisa, a vida tropeça,
No açoite suave de uma sétima tensa,
O pulsar sincopado de uma história intensa.
Ah, me conta, vento, os segredos da rua,
Confissões ao tempo, a alma nua,
Na dissonância do coração que é trilha,
Toca violão, mas a nota encilha.
Componho os passos com sombra e luar,
Tardes que nunca souberam voltar.
O contraponto de um beijo que desata,
Um acorde menor e a saudade que mata.
O vento responde no rasqueado suave,
Revela verdades em syncopes graves.
A melodia da vida, brinca no chão,
Enquanto a voz rouca se faz oração.
Ah, me conta, vento, os segredos da rua,
Confissões ao tempo, a alma nua,
Na dissonância do coração que é trilha,
Toca violão, mas a nota encilha.